Fernando Terra veio de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, no Brasil, onde, desde de cedo, começou a adquirir a experiência que tem hoje, como músico, escritor e produtor, além de ator. Em 1999, depois de ter participado de um espetáculo teatral, foi convidado para a montagem de duas peças infantis em Portugal, e até hoje, está adiando sua viagem de volta ao Brasil. Aproveitou que já estava por aqui, e produziu alguns concertos pelo norte do país. “Já vivo pela Europa há uns oito anos”, conta Fernando, “vivi na cidade do Porto dois anos, e depois saí do país, passei um ano vivendo em França e Alemanha, de onde eu trouxe muitas influências para minha vida e para o meu trabalho. Voltei à Portugal, desta vez para Lisboa, pois gosto daqui, o país, o clima, as pessoas, meus amigos, meu trabalho e, principalmente, minha namorada Rosana, que não é portuguesa, mas também gosta de Lisboa, assim como eu”.Persistente no trabalho, ele nunca se desvia de seus objetivos, atuando sempre nas áreas da música e do teatro. Em Portugal, já escreveu roteiros para séries de televisão, compôs trilhas sonoras para espetáculos teatrais, programas e filmes para a RTP, produziu peças de teatro, deu aulas de formação para grupos teatrais, e é sempre convidado por intérpretes brasileiros e portugueses, para compor suas músicas, além de fazer parte do Banco de Voluntariado da Câmara Municipal de Lisboa, onde trabalha com crianças, e faz concertos pelo país durante todo o ano. Hoje, seu objetivo principal, é se dedicar ao lançamento de seu primeiro álbum “Ladrão de Sonhos”, que são temas compostos pelo artista, com uma linguagem acústica, gravado em Alcabideche no verão do ano passado, com a participação de músicos portugueses e brasileiros. “Foi uma experiência muito dura, com momentos que dá vontade de deixar tudo para trás, e desistir. Mas, graças ao apoio que tenho dos músicos, técnicos e pessoas envolvidas, que eu consegui juntar forças para terminar o trabalho, pois gravar um disco, e ainda mais o primeiro, não é apenas escolher algumas músicas bonitinhas, gravá-las e mostrar para os amigos. Há muita gente brincando de artista, mas, ao meu ver, gravar um CD é imprimir um pouco daquilo que você faz de melhor, para depois encarar as consequências de frente, sem medo de assumir o que fez. O mais importante neste, e em qualquer processo é a sinceridade consigo próprio. Não quero ser mais um, e sim, um mais”.
Surpreso com a reação do público português, em relação ao seu trabalho, Fernando diz que, constantemente é abordado, em locais públicos, ou recebe mensagens de pessoas que dizem saber cantar trechos de suas músicas, e que acompanham seu trabalho. “Minha relação com o público português tem sido fantástica, fico até meio assustado, mas sinto uma enorme felicidade quando um cantor português me pede para escrever uma letra, ou para que eu participe de seu trabalho. Realmente, acredito hoje que o público português me interessa tanto quanto o público brasileiro. Agora, com o trabalho já mais engrenado, fica mais forte o meu elo com o país e com o tipo de vida que temos deste lado do mundo, que não é nem melhor, nem pior que a vida no Brasil, é diferente”, diz ele.
Mesmo nas condições de estrangeiro, outro dos fatores principais que o estimulam a continuar produzindo seu trabalho em Portugal, é o apoio recebido de pessoas e empresas. “Fico feliz por saber que tanta gente confia em meu trabalho. Nunca recebi apoios financeiros, porque é muito difícil acontecer este tipo de situação. Os empresários portugueses são muito desconfiados, e não costumam investir em artistas que não são daqui. Entretanto, este ano, consegui o apoio do Banco Espírito Santo para o Projeto do meu CD. Também, a Fnac foi fantástica em colocar meus discos a venda a partir do mês de outubro. Minha lista de agradecimentos é imensa”, conta entusiasmado. Seu trabalho, também, já se estende por outros países da Europa, principalmente entre França e Alemanha, onde já viveu, alcançando boas relações profissionais, além de shows marcados, ainda este ano, para a promoção de seu CD, em Roma, e em algumas cidades espanholas.
Fernando acredita que devemos sempre viver o “aqui” e o “agora”, apesar de ainda se mostrar um pouco angustiado com os problemas sociais e políticos de seu país, onde vive sua família. “Acho o Brasil um país maravilhoso, onde existe de tudo, mas, pelo que ouço minha família falar, é que se instalou uma grande desilusão nos corações brasileiros. Quem sabe, também exista um milagre que faça os brasileiros aprenderem a votar, não ligam nada para o que acontece politicamente. Que bom que é o povo mais feliz do mundo. Mas que mal que é um povo tão desinteressado em seu próprio bem-estar. Em Portugal, também, não é muito diferente. Por isso eu não consigo dividir minha cabeça entre cá e lá, vivo aqui, e procuro me preocupar com as coisas daqui”, diz o artista. Para ele, a aptidão profissional é fundamental, e diz que o ser humano deveria sempre buscar a profissão, que sabe e gosta de exercer. “O que mais me incomoda é, quando vejo pessoas que optam por uma daquelas profissões que toda mãe quer para o filho. Enquanto as pessoas não se respeitarem e não serem justas com elas mesmas, ficará cada vez mais difícil existir justiça no mundo. Gostaria de agradecer ao Brazuk, pela oportunidade de expressar estas palavras, e dizer que achei uma iniciativa mais do que necessária, está de parabéns, e espero que continue dando este espaço para nós, artistas, e nós, público”. Portanto, se você estiver por Portugal e arredores, fique atento, Fernando Terra “está na área”, e seus CDs nas lojas!